Por vezes conversando com as pessoas na internet, essas pessoas lamentavelmente não entendem o meu posicionamento diante do MMA e UFC. Alguns entendem que eu sou um fanático pelo Karate-Do apenas pelo fato da minha argumentação a favor desta arte marcial, quando afirmo que dentro do quadro principalmente da luta em pé, o Karate-Do Shotokan Ryu por possuir uma argumentação técnica extremamente rica, pode se garantir no ambiente do MMA sem necessariamente, o seu adepto que esteja em tal evento, precise buscar outras técnicas e artes marciais.
Obviamente salvo o Jiu Jitsu tão famoso no MMA e necessário em tal ambiente, pois o objetivo do kumiuchi(luta de solo do Karate-Do com golpes traumáticos nas imobilizações).
Por isso essa semana estou trazendo uma reflexão do do uso do Karate-Do diante desses estilos e artes de lutar.
Um bom final de semana para todos e início de semana também!
Venho trazer dessa vez e depois de um certo tempo sem postar algo para vocês, temas interessantes referente ao uso das técnicas de Karate-Do Shotokan Ryu a curta distância, longe do mais comum explorado ippon shobu kumite pelos japoneses e universo atual dos Dojo de Karate-Do.
Vale ressaltar que as possibilidades não só de interpretação das aplicações das técnicas existentes nos 26 kata Shotokan Ryu são muitas, como o uso diferenciado das técnicas em si existentes no Karate-Do Shotokan Ryu, também deve ser estudado dentro de perspectivas distintas do habitual, pois se assim não for, penso que mais estaremos jogando um jogo de lutar no kumite onde os dois jogadores sabem as opções de uso das técnicas do que vivendo o estudo da luta real onde a ação e a reação, reinam e um universo de possibilidades se depara diante de nós.
Por isso penso que a observação de novas possibilidades de uso do que temos é não só necessária, como também uma realidade que a cada dia que passa ganhará mais espaço na mente dos adeptos do Karate-Do Shotokan Ryu. Quem assim não fizer e ficar defendendo a ótica do tradicional que por sua vez fica engessado numa velha visão e prisma da arte, certamente vai ser surpreendido por karatecas de mente aberta, como por outros artistas marciais que sabem como o Karate-Do é em ação.
Nesta edição do Programa Karate-Do, veremos técnicas que existem no Karate-Do Shotokan Ryu e por vezes pelo foco no Karate esportivo ou mesmo do tradicional usado e explorado sempre da mesma forma, foram deixadas de lado, como por exemplo o ura-tetsui.
Olá amigos, depois das festas estamos de volta com o Programa Karate-Do e essa semana abordando a importância da mente na prática do Karate-Do.
A mente nos eleva a mente nos derruba. Todo o processo de aprendizagem e estudo do Karate-Do Shotokan Ryu conta com a iniciativa da mente.
Comumente temos visto a debandada da arte pelo fato de mentes incapazes de perceber seu valor, partirem para a prática de outro estilo de Karate ou até mesmo outra arte marcial, acreditando que encontrarão nelas o que não encontraram no Karate-Do Shotokan Ryu.
Isso dentro do meu entender, é pura limitação mental, pois o Jiu Jitsu brasileiro por exemplo é muito mais forte apenas no chão e ainda assim seus adeptos acreditam que a arte seja completa e fazem da mesma um sucesso por dois motivos.
Começarei pelo segundo:
A união dos praticantes que move treinos, eventos, marketing e tudo isso com investimento financeiro e competência dos seus profissionais são o segundo motivo que alavanca tal arte marcial para o sucesso. Mas o primeiro fator é a mente dos praticantes que creem lidar com uma arte completa e mesmo diante de pouca argumentação técnica em pé, eles foram capazes de derrubar muitos lutadores que deveriam ser verdadeiras muralhas em pé devido as técnicas existentes nos diversos estilos e artes de lutar em pé.
Contrariamente a isso, lutaram acreditando cegamente e ainda propagam por crer realmente que essa arte marcial é completa e imbatível. Ainda que constatem hoje vários adeptos dessa arte marcial que ela não é tão completa assim,, pois tiveram que aprender a lutar em pé buscando opcionalmente no Boxe ou Muay Thai por serem de mais fácil captação e aprendizagem, ainda há quem pratique unicamente o Jiu Jitsu e seja muito forte com tal arte marcial, pois a mente é tudo.
Portanto são esses dois fatores que nos faltam no universo do Karate-Do, ou seja, a mente ativa, forte e a favor do Karate-Do e muita união.
Desejo uma boa semana para todos e que esse programa seja mais um auxílio para todos vocês.
Embora não se trate da música Stairway to heaven que cita essa frase, ou seja, que nem tudo que reluz é ouro e também tenhamos que aturar uma gata no cio o tempo todo no fundo, vale a pena mais uma reflexão referente ao Karate-Do, uma leve passagem nas técnicas dos três katas Tekki etc.
Vale também refletir no fanatismo que envolve as pessoas com relação ao estudo de suas artes marciais de coração.
Infelizmente vemos essa triste realidade de pessoas discutirem com outros adeptos de outras artes marciais em virtude de simplesmente terem identificações com formas de lutar diferentes. Certo dia desses vi uma foto de Bruce Lee executando aquela imobilização no solo da cena inicial do filme "Operação Dragão" e uma frase provavelmente de um fanático por Jiu Jitsu que pelo visto, só acha eficiente o que ele gosta e pratica.
Tanto é assim que dentro da ignorância no assunto artes marciais por parte da família Gracie fora do Ju Jutsu deles, eles viviam criticando Bruce Lee e dizendo que o mesmo só era bom no cinema. E assim faziam coro os fãs fanáticos pelo Ju Jutsu deles, mas o tempo passou e as dificuldades por parte dos praticantes de Ju Jutsu brasileiro em vencer outros lutadores voltou, pois a maioria dos adeptos de outras artes marciais especializada em lutar em é, também começaram a estudar não só o Ju Jutsu brasileiro deles, como começaram também a estudar mais seriamente as artes deles mesmos.
E com isso o tom mudou sobre as outras artes marciais e sobre a imagem de Bruce Lee por exemplo. E então uma das edições da Gracie Magazine tinha Bruce Lee de capa e tal matéria reconhecia o valor de Bruce Lee só porque descobriram que ele estudou Ju Jutsu também.
Portanto isso é um triste exemplo de fanatismo. Por isso quando falamos das artes marciais clássicas e em especial do Karate-Do Shotokan Ryu, também encontramos outros tipos de fanatismo como o da preservação das mesmas execuções passadas dentro da interpretação e estudos de Masatoshi Nakayama.
O Karate-Do Shotokan Ryu contrariamente ao que a maioria esmagadora pensa em virtude da era Vale Tudo, é uma arte marcial extremamente rica e que não precisa usar a palavra Jutsu a qual jamais pertenceu legitimamente a ele em Okinawa, para que então seja reconhecida como uma arte marcial extremamente poderosa e não apenas um esporte de contato.
Espero que gostem de mais um programa, dicas e auxílios. Assim como espero também que este programa venha ser mais um tijolo nessa construção da verdadeira imagem do Karate-Do Shotokan Ryu e sua versatilidade.
Esta semana eu trago reflexões a respeito de algumas artes japonesas as quais tiveram grandes mestres e que foram marcantes no início da era do desenvolvimento do Budo. Espero que o programa desta semana venha a acrescentar nos estudos de Karate-Do Shotokan Ryu também com a parte técnica, pois em se tratando de Karate-Do, sempre há o que estudar e refletir.
Desejo uma excelente semana iluminada para todos nós!
É notória a diferença existente no ritmo de treinamento e estilo principalmente de treinamento antigo e tradicional do Karate-Do que é uma arte oriental e que herda algumas metodologias de treinamento criados na China e herdados também do próprio mosteiro Shaolin, para o típico treinamento que vemos na atualidade totalmente fundamentado e calcado na concepção ocidental de treinamento físico.
E paralelamente a adoção dessas metodologias abençoadas pelos profissionais de Educação Física, existem as críticas que tais profissionais e adeptos desses treinamentos que por sua vez herdam muito da metodologia de treinamento do Boxe que é uma arte de combate ocidental.
Por isso hoje trago tal reflexão, pois ao irmos numa loja de esporte, não encontramos nem por vezes mais um Karate-Gi, ou seja, um uniforme de treino de Karate conhecido também como kimono vulgarmente. Que dirá então encontrar um Makiwara ou mesmo qualquer material de treino típico do Karate que tenha sido e seja até hoje usado em Okinawa.
Há quem desconheça a existência do Makiwara e hoje só conhecem o boneco de madeira do Wing Chun pela divulgação atual desse estilo. É lamentável as coisas serem como são e só vermos luvas de Boxe, MMA, todos equipamentos de treino vindos do Boxe, short de Muay Thai e no máximo Judo-Gi, ou seja kimino de Judo ou de Jiu Jitsu.
Infelizmente todo treinamento raiz do Karate-Do assim como de Kung Fu são vistos como arcaicos e nocivos para o corpo pelos adeptos dos treinos modernos assim como pelos profissionais de Educação Física que jamais tiveram um treinamento original de Karate-Do.
Acredito que todo esse cenário atual seja fruto de um velho preconceito velado que existe para com as coisas da cultura asiática. E com isso, o ocidental sempre age dessa forma, quero dizer, pegam só o que lhes interessa e jogam o resto fora.
Abordo também algumas aplicações de alguns katas e mostro rapidamente algumas técnicas para minar o adversário.
Desejo a todos um excelente final de semana e um fim de semana abençoado e iluminado para todos nós.
Essa semana o Programa Karate-Do trás o verdadeiro senhor Miyagi do filme Karate Kid. Vejam o que havia por trás de toda produção deste filme que marcou época e levou milhões a procurar o Karate-Do.
A expressão a pena e a espada foi criada pelo Samurai Miyamoto Musashi com intuito de querer dizer que o guerreiro deve ter cultura, ou seja, que lado a lado com o guerreiro interno, deve existir a preocupação com a cultura e a busca da mesma. Isso é um fato, pois meu mestre sempre dizia que não queria guerreiros burros ao lado dele.
O Programa Karate-Do dessa semana trás esse tema entre outras reflexões e espera com isso e sua parte técnica, contribuir com todos aqueles que estudam o Karate-Do Shotokan Ryu e estão nessa caminhada de busca da compreensão do que é o Karate-Do Shotokan Ryu tecnicamente e filosoficamente, pois no período de Kyu(faixas coloridas), as confusões, dúvidas e questionamentos a respeito da arte, são bem maiores.
Perguntas como: "Isso existe no Karate-Do Shotokan?" ou mesmo o pensamento: "Ah! essa técnica não tem no Shotokan!"
Por isso sempre espero auxiliar a todos nesses questionamentos expondo a realidade de que em termos técnicos, temos tudo no Karate-Do Shotokan Ryu por vezes visto de forma tão limitada por leigos, adeptos de outras artes marciais e incrivelmente pelos próprios adeptos deste nosso estilo, que existe por aí na maioria das artes marciais especializadas em lutar em pé.
Tudo é questão de enxergar ali dentro desta maravilhosa arte marcial.
A cada semana tento dedicar o meu tempo ao Karate-Do. Isso ocorre de várias formas, pois tenho meus treinos, meus estudos e pesquisas relacionados a arte, assim como a dedicação e idealização dos vários temas semanais que trago prazerosamente a vocês.
Me comprometer com a arte é um prazer assim como executar o programa, mas fazer de forma a qual agrade as pessoas e alcance a mente daqueles que possuem pensamento claro sobre a arte as vezes é muito difícil, pois sempre existem as dificuldades disso se concretizar em virtude da realidade de que o Karate-Do é percebido por cada um de nós de uma forma.
Uns o veem de forma mais nipônica e acreditam que a concepção deixada por Masatoshi Nakayama é a única e autêntica sendo também a única que pode ser chamada e considerada como tradicional. Já outros como eu por exemplo, como o Sensei Ricardo Aquino, Sensei Bruno Bighi, Sensei Flávio e tantos outros que conheço, acabam vendo as ligações dessa arte com as suas raízes em Okinawa e por isso, possuem uma visão particular da arte que nos permite uma fluidez e amplitude maior, mas ainda assim nenhum de nós deixa de executar e ver a arte como os japoneses também a veem.
Falar de artes marciais como Judo, Ju Jutsu brasileiro ou tradicional, Aikido, Aikijujutsu, Yawara Jujutsu, Kito Ryu Jujutsu, Fusen Ryu Jujutsu etc. é falar automaticamente da cultura Samurai, mas falar de Karate-Do não é o mesmo necessariamente.
Certa vez li uma matéria a qual não posso dizer se o que dizia nela era autêntico, mas dizia que os Samurais chamavam os guerreiros de Okinawa que lutavam sem armas ou no mínimo as armas do Kobudo, de Ryukyu Samurais.
Isso sendo ou não uma verdade, sabemos que o Karate praticado em Okinawa com toda a sua herança chinesa, não foi mais um estilo de JuJutsu(artes de lutar as mãos nuas praticadas pelos Samurais e que possuíam diversos estilos) e também jamais em realidade usou qualquer termo nipônico como Jutsu(técnica ou arte) por exemplo.
Mas com a introdução do Karate de Gichin Funakoshi que em realidade era o resultado de seus estudos de Shuri-Te com Azato e Shorin Ryu com Anko Itosu, inevitavelmente para que esta arte fosse aceita em solo japonês sendo uma arte marcial com estrutura chinesa e passado também, ele aproximou a arte que levava de Okinawa para o Japão que simplesmente considerava apenas Karate sem intenção de criar algum nome de estilo, da cultura japonesa e artes Samurais.
Portanto aderiu a novos nomes de técnicas, novos nomes de katas e por aí foi. É inegável que tal introdução do Karate de Gichin Funakoshi no Japão, não teve a introdução apenas do "Do" que provinha do Budismo assim como também não teve só a introdução do nome Shoto que era uma forma que ele mesmo assinava seus clássicos poemas que foi ligado a sua sala de treino, mas também foi aderido todo o estilo Samurai, etiqueta dos mesmos e a cultura desses guerreiros japoneses que ironicamente eram os adversários dos guerreiros de Okinawa que usavam o Karate contra eles estando desarmados devido a proibição do uso de armas pelo império japonês.
Independente de todo contexto histórico e contradições culturais que encontramos nesse processo de estudo identificando o conflito cultural China e Japão e todo preconceito mutuo entre esses povos, o Karate-Do é o resultado da fusão dessas culturas e como o narrado, foi vinculado a cultura Samurai.
Obviamente sabemos que o Karate de Okinawa pode ter chegado no Japão provavelmente nas mãos de guerreiros da ilha e quem sabe até algum Samurai tenha aprendido alguns elementos dessa arte após algum duelo com alguém de Okinawa e isso tenha dado origem até quem sabe, a algum desses muitos estilos de Jujutsu, que contam com alguns atemi-waza.
Espero que o programa desta semana seja mais um instrumento de estudo para todos os karatecas e budocas que nos acompanham.
Uma excelente semana para todos nós e que ela seja iluminada!
Esta semana venho trazer a verdade. A verdade é um assunto que divide opiniões e devido a isso geralmente faz terminar ciclos e iniciar outros. Comumente cada um leva a sua verdade e dentro desse contexto, muitas vezes o certo é tido como errado e o errado como certo.
Não quero polemizar, mas independente da minha vontade, acredito que a reflexão desta semana vai mais uma vez fazer pensar. Não acredito que todos um dia vão ter o mesmo ponto central de vista a respeito do que seja a arte do Karate-Do, mas percebo quando converso com o querido amigo Sensei Ricardo Aquino de São Paulo, que não estou louco ou mesmo que não vejo sozinho a potencialidade desta arte em outras dimensões.
Espero que a essência da arte que tanto amamos atinja o coração de cada praticante desta arte marcial e que com isso haja não união, pois infelizmente nisso não creio que haverá enquanto o orgulho falar mais alto do que o Budo, mas que o respeito mutuo entre os adeptos do Karate-Do e suas respectivas visão da arte exista, pois ela é maior que todos nós juntos. Falo isso tecnicamente e filosoficamente.
Desejo uma excelente semana para todos nós e iluminada pelo alto!
Comumente quando falamos que praticamos alguma arte marcial logo alguém nos pergunta: "mas pra que praticar uma arte marcial se hoje em dia tudo se resolve na bala?" ou seja, o que estas pessoas querem dizer é que hoje tudo se resolve com um bom revolver!
Diante de tal argumento eu pergunto de volta: Se não sou um policial, um homem da lei e nem um fora da lei, o certo é eu não estar vinte e quatro horas armado, pois se nem arma tenho, por que deveria resolver a minha defesa pessoal com uma arma?
E o correto seria ninguém puxar uma arma ou portar uma pra resolver discussões na rua! Devemos resolver civilizadamente qualquer tipo de problema com as pessoas e sem armas. Por isso o programa trás tal tema e problemática atual e explica que estudar o Karate-Do é vantagem em virtude de que as pessoas mesmo não sendo agentes da lei, soldados etc, tem o direito de se defender caso sejam agredidos e não iremos ensinar os nossos filhos a se defenderem mesmo que em últimos casos, usando armas nas escolas, universidades ou mesmo eles ou nós mesmos no trabalho.
Não precisamos ser violentos para que aconteça um envolvimento nosso na rua com algum tipo de confusão onde necessitemos nos defender. Por isso mesmo o argumento de que hoje tudo se resolve na bala, não é forte para que não venhamos a estudar o Karate-Do ou mesmo qualquer outra arte marcial, pois de fato quem estuda seriamente qualquer arte marcial ou sistema, dificilmente vai brigar na rua.
Espero que tenhamos todos nós uma semana repleta de luz e abençoada e que esse programa desta semana seja mais um auxiliar no estudo filosófico e técnico do Karate-Do Shotokan Ryu para todos os estudantes que acompanham o Programa Karate-Do.
O programa dessa semana aborda a profundidade do Karate-Do Shotokan Ryu na vida de todos nós que o estudamos e praticamos. Essa arte marcial ainda vista como de modo definido por alguns muitos adeptos e praticantes de outras artes marciais que insistem em crer que ela é uma arte marcial que só possui o comumente visto, tem muito mais a oferecer e é tão marcial, profunda e completa quanto os outros estilos de Okinawa e como sempre digo, de Kung Fu.
E filosoficamente o Karate-Do Shotokan Ryu se mostra um dos melhores "Caminhos" de orientação pessoal para o individuo. Se você tem uma religião ou não, tenha certeza de uma coisa. Se tem, ele será um auxiliar da mesma, pois em aspecto nenhum conflita com qualquer religião. Mas se não tem, saiba que será como uma religião em sua vida e caminhada, pois os valores morais dessa arte marcial quando verdadeiramente vividos pelo adepto, são grandes guias para o melhor convívio em sociedade e uma vida de qualidade.
Espero que a parte técnica presente nesta edição do Programa Karate-Do venha a auxiliar a todos que me acompanham. E aproveito aqui para esclarecer sobre um detalhe explicado nesse vídeo o qual já abordei outras vezes, ou seja, a volta da mão a cintura na luta real. Caso possa ou seja rápido, volte a mão na cintura e aplique o golpe, mas em realidade muitas vezes temos que ser bate pronto e diante disso as vezes não dá tempo de voltar a mão na cintura e isso não é sinal de incompetência, mas sim senso de realidade.
Estudando como sempre o Karate-Do não só dentro do Karate-Gi(kimono), lendo aqui e ali, descobri um mestre antigo de Karate-Do Shotokan Ryu que foi discípulo de Gichin Funakoshi Shihan e posteriormente de Masatoshi Nakayama Shihan.
O Shihan Sakae Ibusuki deu uma entrevista extremamente interessante e separei esse trecho para que possa reforçar para os estudantes de Karate-Do Shotokan Ryu, o que ensino via internet no Programa Karate-Do sobre os katas.
Essa entrevista também serve para tirar a venda dos olhos daqueles que crêem que o Karate-Do tem uma forma definida e que aqueles que aparentemente saem do óbvio dentro da prática do Karate-Do Shotokan Ryu, seja um picareta ou mesmo não esteja dentro do contexto do Karate-Do Shotokan Ryu originalmente.
Comumente faço demonstrações da movimentação das técnicas existentes nos katas que por sua vez apresentam uma forma dentro do Karate-Do Shotokan Ryu fluida e livre de percepções visuais óbvias dos outros.
Se isso já causa estranheza em alguns por acharem que mais aproximo o Karate-Do Shotokan Ryu do Karate praticado em Okinawa e até mesmo sobre alguns aspectos do Kung Fu, que dirá se eu tocar publicamente mais explicitamente no assunto das interpretações das técnicas dos katas, ou seja, no assunto Bunkai!
Se eu ou qualquer simples faixa preta como eu tocasse nesses pontos, logo seríamos vistos como inventores e picaretas, mas quando vem de algum mestre japonês fica tudo certo.
Não há como definir o Karate-Do Shotokan Ryu como algo engessado, fixo e único ao modo do agrado de respectivos mestres, mas sim devemos entender que o Karate-Do atende a diversidade existente no mundo e por isso, não cabe a nenhum mestre dizer que esta ou aquela interpretação dos katas e movimentações em ação, sejam invenções inúteis ou que sejam a descaracterização da arte.
Não deixemos o Karate-Do Shotokan Ryu virar uma coisa com formato único como uma religião, pois os estilos são levados geralmente como religiões e carregam milhões de fanáticos em metodologias fixas e o Karate-Do Shotokan Ryu pelo exemplo de centenas de mestres japoneses ou não, já se mostrou fluído e não uma arte marcial com uma forma fixa.
Uma coisa são os seus fundamentos que o fazem ser o Karate-Do Shotokan Ryu, ou seja como sempre falo, kime, quadril, execução correta das técnicas, interpretação e entendimento sobre os katas etc. Outra coisa bem diferente é descaracterizar a essência da arte.
Vejam essa pergunta do entrevistador ao mestre Sakae Ibusuki e sua resposta a respeito do Bunkai dos katas:
Yuko Kallender-Umezu:
As aplicações dos Kata nos últimos anos, particularmente em todo o Ocidente, aumentou em popularidade e importância. Você acha que a aplicação do kata deve ser uma parte central do treinamento de karatê?
Shihan Sakae Ibusuki:
É um fato que diferentes Sensei têm diferentes explicações sobre as aplicações e os significados de diferentes Kata. No entanto, acredito que o ensino da aplicação é muito importante. Há muitas maneiras de entender e digerir os Kata e há muitas maneiras e métodos para ensinar. Eu acho que essa amplitude é uma coisa boa. Não há ninguém que possa dizer " este é bunkai definitivo desta Kata '' . Existem muitas abordagens e compreensões, e esta é a coisa maravilhosa sobre kata- não há uma resposta definitiva. As aplicações dos Katas podem ser tomadas apenas para treinamento de habilidades de combate e os Katas pode ser usados para enfatizar o treinamento espiritual, mas o ponto é que o Katas contém a essência do Karate neles e cabe aos professores e os alunos descobrirem aprenderem e refinarem a essência de se desenvolver.
Em certo sentido, eu acredito que as aplicações dos Katas devem ser um pouco como cozinhar a partir de matérias-primas. Agora comida japonesa é diferente da comida britânica, mas comida japonesa cozida no Reino Unido muitas vezes é sutilmente diferente da comida japonesa cozida em, digamos, Tóquio. O Japão tem a sua própria maneira de tomar a culinária estrangeira e sutilmente adequando-o aos nossos gostos. Então, no Japão você nunca serviria um abacate e sushi, e você não vai encontrar curry japonês leve e doce na Índia. Agora, se você é intolerante você pode dizer que tudo isso é errado e há apenas uma maneira de fazer uma coisa. Mas os Katas estão para si mesmos. Basicamente como você ensina as aplicações é que você pode ser livre para pensar o que quiser.
Espero que as explicações do mestre tenham sido claras e tirem a venda dos olhos de muitos sobre o nosso amado Karate-Do Shotokan Ryu.
No Programa Karate-Do da semana de hoje apresentaremos uma sequência de aula do mestre Sakae.
O Programa Karate-Do desta semana nos trás a reflexão da força que o Karate-Do pode trazer a nós adeptos e praticantes desta arte marcial, e ressalta o papel na vida de milhares de pessoas no pós guerra no Japão e na sua terra de origem, ou seja, Okinawa.
O programa trás imagens fortes, mas muito importante para reflexão de todos nós e com isso, a consciência da grandeza da arte nas nossas vidas. Sem contar que trás a consciência também de que hoje assim como no passado, essa arte é uma fonte de força interna que nos prepara para a vida e nos qualifica para não só o combate corpo a corpo e físico, mas principalmente o combate mental interno.
Com resultados positivos desses combates internos, somos capazes de nos superar e superar os problemas e desafios diários que a vida ou por vezes nós mesmos nos submetemos por escolhas e decisões. O Karate-Do é realmente para toda vida.
Uma boa semana para todos e uma semana iluminada para todos nós!
A ideia de praticar mais de uma arte marcial ou sistema de lutar sempre existiu e não é coisa nova como muitos pensam. Até mesmo a criação dos estilos de Karate que temos hoje vistos como desde o Karate-Do Shotokan Ryu que é considerado como o Karate moderno até os outros estilos, todos nasceram de estudos de mestres do início do século XX com vários mestres de Karate mais antigos de Okinawa. Para que os amigos tenham um breve panorama do que digo, vamos ver um pouco mais de perto essa situação.
Shihan Gishin Funakoshi estudou oficialmente com Azato e posteriormente Anko Itosu. Azato um mestre de Shuri-Te e Itosu mestre de Shorin Ryu. Há quem diga que conheceu também algo de Naha-Te durante sua vida. E de fato há registros em vídeo de alguns dos seus primeiros alunos e em tal vídeo podemos ver eles executando katas como Tensho visto hoje mais em estilos como Shito Ryu e Goju Ryu. No final das contas ele e seu filho Yoshitaka Funakoshi fundaram o Karate-Do posteriormente conhecido como Shotokan.
Shihan Chujun Miyagi teve a oportunidade de estudar tudo o que o seu mestre de Naha-Te o mestre Kanryu Higashionna estudou, ou seja o Naha-Te e um estilo de Kung Fu o qual chamavam de Kempo Chinês que nada mais era do que um estilo do sul da China da província de Fukien conhecido como mestre Liu Liu Kung. Com o mesmo estudo que Kanryu Higashionna teve, Miyagi teve outra concepção e fundou o Goju Ryu.
Kenwa Mabuni por sua vez estudou com Anko Itosu o Shorin Ryu e estudou com Kanryu Higashionna o Naha-Te e fundou o Shito Ryu. Portanto vemos isso ao longo da história, mas a opção de misturar os conhecimentos varia de pessoa para pessoa.
Penso que encontro praticamente tudo em termos de arte de combate em pé no Karate-Do Shotokan Ryu e observando outros estilos de Karate, percebi que tudo que existe em outros estilos há no Shotokan Ryu.
Neste vídeo coloco minha concepção a respeito do assunto e falo que creio que nós dos sistemas que lutam em pé, mais necessitamos buscar nos estilos de Ju Jutsu como Judo, e Jiu Jitsu Brasileiro assim como eles precisam buscar nas artes de lutar em pé do que necessariamente buscar em outro sistema especializada em lutar em pé.
Desejo um bom estudo do tema e uma excelente semana para todos nós!
A busca pela perfeição durante a nossa vida em tudo que fazemos, deve ser uma realidade.Sendo o Karate-Do uma arte japonesa é normal que haja a busca pela perfeição na execução e compreensão da arte como pela aplicação de sua filosofia na vida, pois como todos sabemos, o povo japonês busca a beleza e a perfeição em tudo na vida.
Portanto o programa dessa semana trás a reflexão sobre essa busca da perfeição na técnica e na filosofia do Karate-Do, pois é vivendo ela de verdade que podemos prosperar em sociedade. O mundo não precisa de punhos adestrados, mas sim personalidades benéficas e construtoras de um mundo melhor.
A vida é uma eterna aprendizagem e estamos nós que estudamos e praticamos o Karate-Do, aprendendo dia a dia com esse excelente instrumento auxiliador de crescimento que é a arte japonesa do Karate-Do Shotokan Ryu.
Gichin Funakoshi Shihan levou a arte de Okinawa para o Japão e refinou a arte acrescentando uma filosofia profunda no Karate com o "Do". E seu filho Yoshitaka Funakoshi, aprimorou a arte que seu pai lhe ensinou refinando as técnicas e acreditou no avanço da mesma como um progressista que era.
Que venhamos a dar continuidade nos estudos e aprimoramento dessa arte marcial para nós, pois o Karate-Do Shotokan Ryu em sí, já é uma arte marcial pronta que não deve ser alterada de forma alguma, mas cada expressão pessoal de adepto para adepto desta arte e caminho, deve mostrar ao mundo o quanto essa arte marcial é forte, gigantesca e profunda, se mostrando assim versátil como Yoshitaka Funakoshi nos mostrou quando enxergou mais coisas e novidades dentro da estrutura da mesma.
Reconhece-se o verdadeiro adepto do Karate-Do pela sua exemplificação da moral da arte em vida e não apenas pelo adestramento técnico na arte. O corpo envelhece e a arte tecnicamente falando vai embora, mas os seus respectivos valores filosóficos e morais, permanecem em nós como seguem conosco pela eternidade.
Desejo a todos uma semana iluminada e mais reflexões e estudos de Karate-Do para todos nós.
Essa semana o Programa Karate-Do trás reflexões sobre as raízes do Karate-Do e artes marciais em geral que remontam aos templos budistas, xintoístas e taoístas. E o programa fala do que devemos buscar no Karate-Do, pois ele não nos pede que sejamos os melhores com os punhos, mas sim melhores com a mente e espírito.
Esta semana trago para os amigos uma quase que entrevistas onde não são ouvidas as perguntas, mas as respostas são claras e explicam claramente a que se referem. A situação foi a seguinte. O amigo Rafael que me acompanha esteve aqui no Rio e por e-mail já havia combinado comigo de querer me conhecer. Então marquei a vinda dele até mim e ele aproveitou pra conversar comigo fazendo muitas perguntas.
Um amigo meu o Márcio estava na minha casa e sem que eu soubesse quis gravar tal conversa e deixei ele gravar, mas o Rafael tímido pediu que cortasse as partes da fala dele quando decidimos colocar como a edição do programa desta semana, mas as respostas ficam claras a que se referem as perguntas.
Essa semana trago a reflexão sobre o cultivo desta arte marcial que praticamos. Muito vem por aí em termos de Karate-Do pelo mesmo se tornar um esporte olímpico para a felicidade daqueles que vivem da arte e colocando seus alunos anualmente em campeonatos.
Gostaria inclusive de levantar tal reflexão no próximo programa, ou seja, falar a respeito da possibilidade de viver da arte com qualidade. Mas pra isso o primeiro passo é o profissional viver para a arte para que então de maneira inteligente, a arte dê o retorno a este profissional. Falarei que é possível oferecer um trabalho de qualidade com relação ao Karate-Do, sem necessariamente ser apenas voltado para o esporte. Acredito que o mesmo pode se estabelecer como esporte, mas que quem trabalha com o Karate-Do como arte marcial também pode prosperar sem necessariamente comercializar a arte sem dignidade.
Desejo uma boa semana a todos e esperam que gostem dessa edição do Programa Karate-Do desta semana. Um grande abraço!
Essa semana trago uma reflexão sobre a realidade da ausência da consciência por parte de muitos judocas da atualidade, no que diz respeito a passagem do Karate-Do dentro da Kodokan de Judo quando Gichin Funakoshi Shihan a pedido de Jigoro Kano Shihan, ensinou o Karate recém chegado de Okinawa no Japão,pelas mãos do próprio mestre Funakoshi. É constante a realidade de que adeptos do Judo e do Jiu Jitsu brasileiro, tem trocado figurinhas entre si e com isso quando entra se no assunto histórico, raros são os que ressaltam tal passagem do Karate na história do Judo da Kodokan.
A realidade é que após presenciar uma apresentação de Karate feita por Gichin Funakoshi, o mestre Jigoro Kano pai do Judo, o convidou para ficar no Japão e lecionar a arte dentro da Kodokan. Desse contato entre esses dois mestres de artes marciais distintas, houve muito intercâmbio e não foi só o Karate de Gichin Funakoshi que teria lucrado, pois Kano Shihan pediu a Funakoshi para lhe ensinar alguns katas.
Jigoro Kano era um homem de larga visão e construiu o Judo em observações e estudos declaradamente assumido por ele. Ele observou e pegou elementos do Karate, alguns estilos de Jujutsu, Boxe, Luta olímpica, esgrima etc. Do Jujutsu trazia do Tenshin Shin`yo Ryu técnicas de atemi-waza e de agarres. Mas tais técnicas de atemi-waza desse estilo, não se comparam em quantidade e muito menos em explosão dos golpes que o Karate de Okinawa oferecia. E por isso mesmo Kano Shihan ficou surpreso em conhecer tal arte marcial.
Já do Kito Ryu também outro estilo de Jujutsu que Kano Shihan estudou, ele trouxe o nage-waza, ou seja, as técnicas de quedas rolamento etc. Isso sem contar com influência de outras escolas de Jujutsu que vieram quando se juntaram a Kodokan de Judo como no caso do Fusen Ryu Jujutsu o qual trouxe as técnicas de solo, ou seja o ne-waza o qual ainda existe no Kosen Judo no Japão e ficou vivo aqui no Brasil no Ju Jutsu brasileiro conhecido como Jiu Jitsu.
Portanto o Judo, uma das artes mais ricas que o Japão criou teve sim influência do Karate de Okinawa que por sua vez para os japoneses era o que mais se aproximava do Kung Fu chinês e que era totalmente novo aquele tipo de transmissão dos conhecimentos e das técniacs através dos katas. Daí então nasceu o Goshinjutsu do Judo que é estudado após a faixa preta em aulas de defesa pessoal que contam com as técnicas de atemi-waza que por mais que tenham vindo do Tenshin Shin`yo Ryu Jujutsu, ta,bém possui técniacs vindas do Karate. A maior prova disso é que alguns judocas já treinaram no Makiwara, um instrumento de treino do Karate de Okinawa.
Espero que depois dessa edição do Programa Karate-Do, os nossos irmãos judocas e adeptos do Jiu Jitsu tenham mais consciência sobre a importância histórica do Karate-Do na criação do Judo e o relacionamento que teve com o Jujutsu moderno que nascia. Vale lembrar que historicamente se os amigos rastrearem, encontrarão vestígios da passagem de pessoas que sabiam o Karate de Okinawa e até de pessoas que haviam aprendido o sistema de lutar chinês, quer dizer, o Kung Fu no Japão nos tempos dos Samurais e por vezes saíram vencedores em cima de Samurais.
Portanto todo aquele balezinho que fazemos no Karate-Do que são como muitos judocas e adeptos do Jiu Jitsu chamam os katas por não se afinarem com esse tipo de prática e por isso não entendem, possue muita eficiência quando verdadeiramente compreendido.
O programa encerra com uma reflexão histórica que fará os adeptos do Karate-Do pensarem que realmente qualquer semelhança da nossa arte ou da interpretação da mesma por parte de um praticante com o Kung Fu ou o modo chinês de lutar, não deve ser encarado como equivocado, mas sim como um resgate ou uma aproximação com o Karate praticado em Okinawa que por sua vez mais se assemelha as suas raízes chinesas.
Desejo a todos uma ótima semana e como sempre desejando união entre os karatecas no universo do Karate-Do assim como a união dos praticantes de artes marciais!